Polícia investiga 120 execuções a mando de facções criminosas

Por Da Redação em 03/01/2022 às 10:26:22

Aumento na incid√™ncia de homicídios cruéis praticados pelo "tribunal do crime", por ordem de fac√ß√Ķes criminosas, resulta na implanta√ß√£o de núcleo operacional específico dentro da Delegacia de Homicídios e Prote√ß√£o à Pessoa (DHPP) que hoje apura mais de 120 execu√ß√Ķes na Grande Cuiab√°. Investiga√ß√Ķes apontam para a a√ß√£o de faccionados no cumprimento das ordens emanadas pelos líderes de dentro de unidades prisionais. As execu√ß√Ķes s√£o praticadas com requintes de crueldade e filmadas. O registro tem a fun√ß√£o de intimidar a comunidade local buscando o sil√™ncio de testemunhas bem como usar as imagens como "presta√ß√£o de contas" aos mandantes do crime.

Somente em 2021, foram registrados na Capital e em V√°rzea Grande 83 homicídios dolosos contra a vida, entre 1¬ļ de janeiro e 29 de dezembro. Foram 46 na Capital e 37 em V√°rzea Grande. Ocorreram ainda 25 mortes por interven√ß√£o de agentes de estado nos dois municípios, quando as vítimas foram mortas durante a√ß√£o de policiais militares.

Apesar de n√£o informar o percentual dos crimes relacionados à fac√ß√£o criminosa em 2021, o delegado Caio Fernando Alvares de Albuquerque assegura que o número tem aumentado nos últimos 5 anos, o que foi determinante para a implanta√ß√£o do núcleo operacional, no início do ano passado, quando a equipe assumiu investiga√ß√Ķes de crimes praticados desde 2017 e que apontam para a a√ß√£o de faccionados ou por ordem de líderes de fac√ß√Ķes.

Em Mato Grosso e na baixada cuiabana a fac√ß√£o Comando Vermelho (CV) é considerada dominante e apontada como a principal respons√°vel pelas puni√ß√Ķes, os conhecidos "salves" que, na maioria das vezes, resultam na morte da vítima após intensa sess√£o de tortura, sem qualquer chance de defesa.

De acordo com o delegado Fausto Freitas da Silva, titular da DHPP, as motiva√ß√Ķes para a decreta√ß√£o das mortes das vítimas s√£o diversas e, em grande parte, por atos n√£o praticados por elas, como apontam as investiga√ß√Ķes. V√£o desde acusa√ß√Ķes de supostos crimes sexuais ou pelo fato de se envolverem com mulheres de faccionados. Acusa√ß√Ķes de supostas dívidas e a suspeita de integrarem uma fac√ß√£o rival também levam muitos inocentes a serem investigados, julgados e condenados à morte pelos "justiceiros" que comandam o tribunal do crime privado, aponta Freitas. Entretanto, entre as vítimas, a maioria possui antecedentes criminais.

Cita um dos casos comprovados, quando um motorista de aplicativo foi raptado por membros da fac√ß√£o, mantido preso por um dia até ser torturado cruelmente e assassinado em V√°rzea Grande. O corpo foi localizado carbonizado dentro de seu veículo. Em depoimento, no inquérito, a suposta vítima de estupro que teria acusado o motorista de aplicativo de t√™-la atacado, confirmou que inventou a história para causar ciúmes no namorado, que era membro da fac√ß√£o. A mentira contada por ela foi a senten√ßa de morte de Jonas de Almeida Silva, 26, em 28 de mar√ßo de 2019.

Fonte: GD

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