PF: grupo lavou dinheiro com agências de turismo e consultorias

Por Da Redação em 29/10/2021 às 11:25:54

A Polícia Federal apura se o esquema investigado pela Opera√ß√£o Cupincha usou empresas de consultoria e turismo para lavar o dinheiro supostamente desviado da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiab√°.

A informação foi repassada pelo delegado Charles Cabral Motta, chefe da delegacia de Combate a Corrupção da PF, durante uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (28).

A opera√ß√£o foi deflagrada hoje e resultou na pris√£o do ex-secret√°rio municipal de Saúde, Célio Rodrigues, e do empres√°rio Paulo Roberto de Souza Jamur.

O delegado n√£o informou nome de nenhuma empresa alvo da opera√ß√£o. Mas a reportagem apurou que uma delas é a Hipermed Servi√ßos Médicos & Hospitalares Ltda, que tem contratos com a Prefeitura de Cuiab√°.

"Apurou-se durante as investiga√ß√Ķes [que houve] algumas transfer√™ncias suspeitas para empresas de turismos e consultoria, que deve ser objeto de aprofundamento das investiga√ß√Ķes, que s√£o potenciais desvios de recurso e usadas para ocultar valores subtraídos da saúde pública", disse o delegado.

Alegando que o processo est√° sob sigilo, Motta também n√£o repassou os nomes das empresas supostamente usadas na lavagem de dinheiro.

Na primeira fase da opera√ß√£o, deflagrada em julho, foram investigadas movimenta√ß√Ķes financeiras da empresa Smallmed Servi√ßos Médicos e Hospitalares com uma ag√™ncia de viagem e com uma consultoria em gest√£o empresarial.

S√£o elas: Desta Turismo Ag√™ncia de Viagem Eirel e Paulo Roberto Assessoria Consult e Planejamento Ltda. A última pertence a Paulo Roberto de Souza Jamur.

"Quarterização"

As investiga√ß√Ķes ainda apura supostas "quarteiriza√ß√Ķes" de contratos administrativos firmados por empresas com a Secretaria de Saúde.

"O Município de Cuiab√°, por meio da Secretaria de Saúde e Empresa Cuiabana da Saúde Pública, contratava empresas para realizar os seus servi√ßos, por tanto uma terceiriza√ß√£o. Essas empresas, terceirizadas, contrataram outras para realizar uma parte ou todo o servi√ßo, daí o nome "quarteiriza√ß√£o"", explicou o delegado.

A quarteiriza√ß√£o pode ser usada para ocultar o benefici√°rio final do dinheiro público, uma vez que a empresa "quarteirizada" n√£o tem nenhum contrato com a administra√ß√£o pública, mas recebe recursos indiretamente.

Conforme as investiga√ß√Ķes, o esquema supostamente beneficiaria o ex-secret√°rio Célio Rodrigues, que chegou a ocupar cargo de diretor na Empresa Cuiabana de Saúde. Esses benefícios incluem ainda o pagamento de suas despesas pessoais.

"E provavelmente foi esse mecanismo para desvio de parte dos recursos que vieram do orçamento municipal", afirmou o delegado.

A PF ainda apontou que a aproxima√ß√£o entre as atividades públicas e privadas dos investigados envolveu a aquisi√ß√£o da Cervejaria Cuyabana, com sede em V√°rzea Grande, em que teriam se associado, de forma oculta, Célio Rodrigues e o empres√°rio Paulo Roberto.

A empresa foi adquirida do empresário Ricardo Sguarezi, em fevereiro deste ano. Sguarezi foi delator da Operação Rêmora, deflagrada no Governo Pedro Taques.

Corrupção e lavagem de dinheiro

A PF apurou na primeira fase da Opera√ß√£o Curare que um grupo empresarial, que fornece servi√ßos à Secretaria Municipal de Saúde, recebeu, entre os anos de 2019 e 2021, mais de R$ 100 milh√Ķes dos cofres municipais.

Segundo a PF, há suspeitas dos crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Célio Rodrigues e Paulo Roberto tiveram mandados de pris√£o tempor√°ria cumpridos em Cuiab√° e Curitiba (PR), respectivamente. J√° a sede da Cervejaria Cuyabana foi alvo de um mandado de busca e apreens√£o.

De acordo com as investiga√ß√Ķes, o grupo manteve-se à frente dos servi√ßos públicos mediante o pagamento de vantagens indevidas, seja de forma direta ou por intermédio de empresas de consultoria, turismo ou até mesmo recém-transformadas para o ramo da saúde.

Após o ingresso dos recursos nas contas das empresas intermedi√°rias, muitas vezes com atividades econômicas incompatíveis, os valores passavam a ser movimentados, de forma fracionada, por meio de saques eletrônicos e cheques avulsos, de forma a tentar ocultar o real destinat√°rio dos recursos.

A movimenta√ß√£o financeira também se dava nas contas banc√°rias de pessoas físicas, em geral vinculadas às empresas intermedi√°rias, que se encarregavam de igualmente efetuar saques e emitir cheques, visando a dissimula√ß√£o dos eventuais benefici√°rios.

Paralelamente, o grupo empresarial investigado na primeira fase da Opera√ß√£o Curare promovia supostas "quarteiriza√ß√Ķes" de contratos administrativos, que viriam a beneficiar, em última inst√Ęncia, o servidor respons√°vel pelas contrata√ß√Ķes com a Secretaria Municipal de Saúde e Empresa Cuiabana de Saúde Pública, incluindo o pagamento de suas despesas pessoais.

O nível de aproxima√ß√£o entre as atividades públicas e privadas dos investigados envolveu a aquisi√ß√£o de uma cervejaria artesanal, em que se associaram, de forma oculta, o ent√£o servidor público e o propriet√°rio do grupo empresarial investigado.

Fonte: Midia News

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